Serra da Piedade

 

A Serra Abençoada

​O caminho é um rito de passagem. Conforme a estrada serpenteia o Gigante de Pedra, o ar vai ficando mais ralo e as preocupações, curiosamente, parecem perder o peso. O mundo lá embaixo, com sua pressa e seus ruídos, vai se tornando uma miniatura distante.

​Ao alcançar o topo, a Ermida de Nossa Senhora da Piedade surge não como uma imposição, mas como um broto da própria rocha. É ali, naquele ponto onde o céu de Minas parece descansar, que o "chapéu invisível" cai da cabeça. Não é preciso ser devoto para sentir o sagrado; basta estar vivo.

​Você entra. O frescor das paredes de pedra contrasta com o calor da subida. O silêncio da capela é diferente de qualquer outro — é um silêncio que tem voz. Ali, entre um agradecimento e uma prece muda, a gente entende que o horizonte infinito lá fora é apenas um reflexo do que levamos dentro. A Serra não explica nada. Ela apenas nos permite, por alguns instantes, ser parte de algo eterno.

​"Minas é um estado de espírito, e a Piedade é o altar onde esse espírito descansa."

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